Recife recebeu nesta terça-feira (14/04) a abertura do FIFE 2026, um dos principais encontros do Terceiro Setor no Brasil, que reúne gestores de organizações, fundações, institutos e especialistas em captação de recursos e gestão social. Recheada de recados para melhor aproveitamento do Fórum, de palestras e muita interação com uma plateia de mais de mil pessoas, a edição pernambucana contou com uma surpresa para lá de inspiradora na noite de estreia.
Primeiro, porque puderam assistir à apresentação cultural no palco principal, que destacou a diversidade e a beleza da performance da cultura nordestina. Na sequência, o diretor do fórum, Marcio Zeppelini, conduziu a primeira palestra com foco nas transformações provocadas pela inteligência artificial no mundo do trabalho e, em especial, no Terceiro Setor.
Sem tratar a tecnologia como ameaça, Zeppelini defendeu que a IA inaugura uma nova etapa, menos centrada em tarefas e mais orientada ao impacto. “Não é o que você faz, é o impacto que você causa”, afirmou ao público, ao longo da apresentação.
A fala percorreu mudanças históricas, da Revolução Industrial à popularização da internet, para situar o momento atual como uma nova ruptura. Segundo ele, a inteligência artificial tende a substituir atividades repetitivas e operacionais, mas amplia a demanda por habilidades humanas, como pensamento crítico, criatividade e capacidade de conexão.
A apresentação também dialogou diretamente com a realidade das organizações sociais. Para Zeppelini, o desafio não está na substituição de profissionais, mas na adaptação das formas de trabalho. “Não é o emprego que está em jogo, é o modelo antigo de trabalho”, disse.
Mas a atração da noite foi a do palestrante Marcos Rossi (foto acima), conhecido pela história de superação após o sucesso conquistado em sua vida pessoal e profissional, mesmo tendo nascido “sem braços, sem pernas e sem limites” – como ele prefere se definir.
Sua narrativa emocionou o público a cada slide, começando pela fala de abertura quando lembrou do impacto de seus pais no dia do seu nascimento. “Até o médico desmaiou na sala de parto ao ver um bebê sem braços nem pernas. Tempos depois, recebi o prognóstico de que teria poucos anos de vida”, disse.
Ao contrário das expectativas da medicina, ele construiu uma carreira invejável de treinador para líderes de alta performance, representante oficial no Brasil do guru motivacional Toni Robbins. “Decisão muda destino”, fez a plateia repetir, transformando a frase em fio condutor de uma apresentação que alternou humor, choque e identificação imediata e muita emoção na plateia.
Ao longo da apresentação, Rossi deslocou o foco do que falta para o que está disponível. Em vez de reforçar limitações, insistiu na ideia de que a vida não acontece “com você”, mas “para você”. O argumento ganhou força nas histórias pessoais: da infância adaptando brincadeiras ao esforço para ocupar espaços que inicialmente lhe foram negados. A mensagem, repetida em diferentes momentos, era simples e direta: não é a falta de recurso que paralisa, mas a forma como se enxerga – ou deixa de enxergar – o que já se tem.

Palestra sobre IA (Foto: Ong News)
A palestra também avançou sobre um terreno mais íntimo, ao tratar de identidade e emoções. Rossi falou sobre padrões mentais que se repetem ao longo da vida e sobre o peso das narrativas que cada pessoa constrói sobre si mesma. Ao lembrar exercícios que aprendeu ainda jovem, defendeu que aquilo que se afirma – o “eu sou” – molda comportamentos e decisões. Nesse ponto, a fala ganhou tom mais reflexivo, mas manteve o ritmo, conectando emoção, energia e ação como elementos centrais para qualquer mudança concreta.
Na reta final, o relato ganhou densidade ao incorporar perdas pessoais e momentos de virada. Rossi citou a morte do pai e episódios que, segundo ele, redefiniram seu caminho profissional, para sustentar a ideia de propósito. Sem encerrar em tom contemplativo, lançou um desafio prático ao público: passar cinco dias sem reclamar. A proposta, simples na forma, foi apresentada como exercício de ruptura de padrões. Ao deixar o palco, a mensagem que ficou não foi de superação abstrata, mas de escolha cotidiana, menos sobre vencer grandes obstáculos e mais sobre como se reage a eles.
A programação do FIFE 2026 segue ao longo da semana com painéis, oficinas e debates sobre financiamento, inovação, comunicação e diversos temas estratégicos para a gestão do terceiro setor.
Ao longo do primeiro dia, a organização também anunciou que o FIFE 2027 será realizado de 13 a 16 de abril, em Gramado (RS). As inscrições já estão abertas em lote de lançamento, com valor promocional de R$ 699 por pessoa, válido até sexta-feira (17/04). Interessados podem garantir a vaga diretamente no estande da Rede Filantropia durante o evento.
Fonte: Agência Pauta Social
Fotos: Ong News



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