Acima, aula de informática. Na página ao lado, alunos do curso de montagem e configuração de computadores.
Na região central do Brasil, mais especificamente no centro-oeste, existe um ecossistema muito peculiar, que é dos mais ameaçados em todo o planeta: o cerrado. Entre os aspectos que contribuem com a degradação dessa região, que ocupa aproximadamente 20% do território nacional, está a pobreza, ou seja, o desequilíbrio social também vitima o meio ambiente. É nesse cenário que a FPC – Fundação Pró-Cerrado iniciou e mantém, desde 1994, seu trabalho social, que tem a missão de unir defesa do meio ambiente à geração de renda para adolescentes de famílias em risco social.
Ao atuar como alternativa ao ciclo de pobreza que relaciona famílias miseráveis à degradação do meio ambiente, o programa Jovem Cidadão prova ser um dos importantes trabalhos não-governamentais de combate à delinqüência juvenil no Brasil. Com atividades multidisciplinares, o projeto propõe soluções para melhorar a qualidade de vida dessas famílias. Por meio dele, os adolescentes recebem capacitação profissional e são encaminhados ao primeiro emprego nas empresas públicas e privadas, parceiras da Fundação Pró-Cerrado. O Jovem Cidadão recebe um salário mínimo, tem carteira de trabalho assinada e conta com todos os benefícios previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Durante o processo inteiro, o adolescente necessariamente precisa estar estudando, a fim de garantir o emprego.
Somente em Goiás, a fundação trabalha atualmente com 150 empresas públicas e privadas que obedecem a tal exigência, ou, no caso das desobrigadas por lei, que fazem questão de exercitar a responsabilidade social empresarial, dando oportunidade de emprego formal a mais de 3,5 mil adolescentes. Entre os parceiros do programa Jovem Cidadão, destacam-se o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, a Unilever/ Bestfoods, o Sebrae, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.
Além da sede, a Fundação Pró-Cerrado conta ainda com outras unidades, por meio das quais amplia os serviços oferecidos à comunidade: a organização atua hoje em Goiânia, Anápolis, Palmas (Tocantins) e São Miguel do Araguaia, local que abriga um dos maiores projetos da organização, o Centro de Educação Tecnológica Vale do Araguaia. Esse centro tem como propósito atender a mais de três mil pessoas em busca de conhecimentos nas áreas de turismo e agricultura. O complexo educacional está situado em uma área de 22 mil metros quadrados, com 71 cursos básicos e técnicos gratuitos ou de baixo custo disponíveis, realizados sempre por meio de parcerias. São os braços da fundação chegando a diversas comunidades, oferecendo oportunidades de crescimento pessoal e profissional, propulsores do equilíbrio social.
A proposta educacional da Escola Fazenda de Araçu está fundamentada no ensino profissionalizante e técnico, com foco em atividades agrosilvopastoris (agricultura associada à pecuária e ao plantio de árvores). As inscrições foram abertas no início deste ano e a expectativa é formar até cem alunos de nível técnico por semestre. Já os cursos profissionalizantes estarão abertos a toda a comunidade e serão ministrados com recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) ou subsidiados pela própria FPC.
Dessa forma, a instituição prossegue com a intenção de manter e ampliar uma obra que se preocupa com o desenvolvimento sustentado do cerrado, transferindo para o âmbito social a mesma preocupação que a Fundação Pró-Cerrado sempre teve com o meio ambiente, criando campanhas que promovam conjuntamente aspectos educacionais e ambientais e resultem em geração de renda para comunidades carentes.
Os braços da FPC chegam a diversas comunidades, oferecendo oportunidades de crescimento pessoal e profissional
15: mil jovens no programa Jovem Cidadão
3,5: mil adolescentes com emprego formal



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