Em 8 de março de 1857, 129 operárias de uma fábrica têxtil de Nova York entraram em greve reivindicando salários iguais aos dos homens, além de redução da jornada de trabalho, que chegava a 16 horas diárias. A conclusão desse episódio tem diferentes versões, sendo a mais provável aquela que os patrões teriam trancado as trabalhadoras e incendiado a fábrica. Intencional ou acidental, o evento provocou a morte de todas as grevistas. Em 1910, o 1º Congresso Internacional das Mulheres, realizado na Dinamarca, escolheu 8 de março como o Dia Internacional da Mulher. Ao se avançar no tempo, percebe-se que o sexo feminino vem conquistando, mesmo que lentamente, parte dos direitos pelos quais luta há mais de um século. Um exemplo disso no Brasil é o direito ao voto, somente reconhecido na Constituição de 1934. No entanto, a primeira governadora só foi eleita 60 anos depois, o que evidencia a lentidão que existe na aplicação prática da igualdade de gênero.
O surgimento do movimento feminista produziu, a partir da metade do século XX, efeitos políticos e sociais importantes, além de significativa contribuição à reestruturação do pensamento ocidental. O movimento abarca hoje mulheres de diferentes gerações e camadas sociais, tanto no meio rural como no urbano.
As ações têm como missão fortalecer a capacidade de enfrentamento das desigualdades de gênero, a superação do sexismo nas organizações e a valorização das diferentes contribuições femininas à sociedade. As iniciativas da Rede são norteadas pela promoção da auto-estima e da participação crítica e criativa de cada indivíduo como protagonista do próprio desenvolvimento pessoal e, como conseqüência, do processo de transformação social.
A Rede Mulher de Educação adota como princípio-chave a máxima de que os direitos das mulheres são direitos humanos. Sendo assim, a educação popular feminista é um processo pedagógico de caráter político que busca a reciprocidade entre homens e mulheres, tanto na produção como na reprodução. De forma prática, a organização tem participado, desde os anos 80, de pesquisas, do processo constituinte de 1988 e de diversos encontros internacionais. Esses eventos, entre outros, contribuíram para o crescimento da entidade, que em 1994 definiu-se como Escola de Formação de Multiplicadoras em Gênero e Liderança.
A Rede oferece cursos, oficinas e assessorias ministrados por profissionais. Os conteúdos e metodologias são adaptados conforme o perfil e a demanda dos grupos requisitantes. São destinados a mulheres e homens de qualquer faixa etária, com diversos temas e áreas abordadas, buscando esclarecer a questão e melhorar a qualidade de vida dos participantes. Isso porque os diversos cursos tratam de saúde psicológica, física e social, entre outros setores que também merecem atenção.
De forma geral, as atividades da RME têm importante impacto junto ao movimento de mulheres, ao movimento popular, à sociedade civil organizada, às políticas públicas e às ações de responsabilidade social, sendo que os produtos contribuem, de várias maneiras, para o fortalecimento feminino e, assim, para a eqüidade de gênero na luta pela conquista de uma sociedade mais justa e humana. A avaliação desses impactos é particularmente difícil, já que as ações da organização se dão num contexto em que incidem diversos fatores e envolvem muitos e distintos “circuitos” de relações. Aqui vale informar que, conforme o manual Relações de Gênero no Ciclo de Projetos, editado pela Rede Mulher de Educação, “o fortalecimento é um processo complexo de crescimento individual e de grupo em direção à autonomia e à solução de problemas. É a preparação para o exercício da cidadania em seu sentido mais amplo”.
Outra iniciativa que trouxe resultados positivos foi a parceria com o Instituto de Terras do Estado de São Paulo-Itesp, por meio da qual foram realizadas oito oficinas dirigidas a trabalhadoras rurais assentadas na região do Pontal do Paranapanema, atingindo cerca de 240 mulheres. A ação influi na preparação do IV Encontro de Mulheres Assentadas e Quilombolas, o que representou um impulso na organização de sua associação e na criação de estratégias para que se defendessem da violência.
Ao se tratar de reconhecimento, é válido informar que, em 2000, a Rede Mulher recebeu o Prêmio Bem Eficiente, da Kanitz, em função da qualidade e transparência da organização quanto à gestão financeira, bem como aos impactos das atividades junto à sociedade brasileira. Respostas por meio de resultados sociais e prêmios validam as iniciativas, animando o grupo daqueles que se dedicam à causa. Afinal, a realidade na qual a RME trabalha ainda demanda muitos esforços para que o cenário sofra as alterações justas e necessárias. Para se ter uma idéia, ainda nos dias de hoje, conforme artigo do DIEESE intitulado “As condições sociais básicas das famílias chefiadas por mulheres”, os lares liderados por mulheres possuem renda familiar inferior em 60,8%, em média dos domicílios chefiados por homens. É um dado que evidencia a desigualdade de gênero, que provoca uma série de efeitos colaterais, ratificando a pertinência das atividades da Rede Mulher de Educação.
480: mulheres capacitadas no Amapá
240: mulheres nas oficinas no Pontal de Paranapanema



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