Na maioria das empresas encontramos pessoas desenvolvendo ações voluntárias, boa parte delas vinculada a instituições religiosas ou comunitárias. Em geral, ao falar sobre o assunto, só nos lembramos dos voluntários que se dedicam à assistência social ou à educação. Exemplos: arrecadar roupas ou comida para populações carentes, prestar assistência em asilos, creches, hospitais. Mas o voluntariado engloba um leque muito mais amplo de ações. São voluntários, por exemplo:
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VbCrLf Vale lembrar a definição da ONU: “O voluntário é o jovem ou o adulto que, por interesse pessoal e espírito cívico, dedica parte de seu tempo, sem remuneração alguma, a atividades voltadas ao bem-estar social a outros campos”.
VbCrLf Na mesma linha, segue a definição formulada pelo Programa Voluntários do Conselho da Comunidade Solidária: “Voluntário é o cidadão que, motivado pelos seus valores de participação e solidariedade, doa seu tempo, trabalho e talento, de maneira espontânea e não-renumerada, para causas de interesse social e comunitário”.
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VbCrLf O apoio dessas ações espontâneas pode ser o ponto de partida para o Programa de Voluntariado. A empresa pode fornecer, por exemplo, espaço adequado para os voluntários se reunirem, guardarem materiais, armazenarem o produto de coletas. Ou ainda, permitir que eles realizem campanhas internas, mobilizando os colegas em torno de uma causa.
VbCrLf Estimular a criação entre os voluntários da empresa, de um grupo coordenador, que lhes permita se apoiarem, amplia o alcance de suas ações e atrai mais participantes. Também é muito útil franquear aos voluntários espaço nos mecanismos de comunicação da empresa: murais, jornais internos, boletins eletrônicos, ou colocar equipamentos, instalações e sistemas da empresa à disposição de uma determinada ação voluntária: a limpeza de um rio, um curso profissionalizante, a encenação de uma peça de teatro.
VbCrLf Uma prática muito comum é a doação de materiais com finalidades variadas: para mutirões de construção ou reforma, para o uso em uma instituição, para a transformação em produtos vendáveis. Nos EUA as empresas doam recursos financeiros para causas ou instituições nas quais os seus funcionários estejam envolvidos, por exemplo, depositando certa quantia para cada 100 horas voluntárias trabalhadas.
VbCrLf O apoio da empresa será decisivo para o desenvolvimento, internamente, dos laços de solidariedade e do espírito cívico, fazendo com que mais pessoas se incorporem às ações em benefício da comunidade. Mas, provavelmente, o maior apoio é a participação dos dirigentes da empresa nas ações voluntárias. Envolver acionistas, diretores, gerentes, supervisores é levar à prática o velho conceito: “o exemplo vem de cima”.
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VbCrLf O simples apoio às ações voluntárias espontâneas ainda não constitui um programa. Ele só começa a nascer quando a empresa decide tratar essa força solidária como mais um de seus projetos, passando a organizá-la e gerenciá-la com os mesmos critérios de eficiência que caracterizam o mundo dos negócios.
VbCrLf A primeira iniciativa de formação do programa pode ser das pessoas que já fazem trabalho voluntário. Pode ser ainda da diretoria. Ou do departamento de Recursos Humanos, que viu no voluntariado um fator de coesão interna. Ou ainda, do pessoal de Comunicação, que identificou uma oportunidade de melhorar a imagem corporativa.
VbCrLf Na verdade, esse primeiro impulso pode partir de qualquer área, mas sempre será fundamental ganhar o aval dos dirigentes da empresa. Afinal, a proposta é dedicar ao programa tempo, recursos e talento da organização. Também é importante envolver o RH e a área de Comunicação. No primeiro caso, porque voluntariado implica no gerenciamento de pessoas, para o que as técnicas de RH serão sempre bem-vindas. No segundo, pelas amplas necessidades de comunicação que o programa terá.
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VbCrLf Uma das primeiras reflexões a fazer é se a empresa tem condições internas de criar um Programa de Voluntariado. Isso implica em analisar o seu clima organizacional, conflitos existentes, eventuais reivindicações e, a partir daí, definir se o programa será bem recebido ou não.
VbCrLf Seria cinismo falar em voluntariado em uma empresa com graves problemas de segurança e salubridade, onde as pessoas sofram acidentes com freqüência e adoeçam em decorrência da atividade profissional. O mesmo vale para organizações que atrasam os salários, desrespeitam a legislação trabalhista, não concedem benefícios comuns em seu setor, mantêm um clima interno desfavorável. Ou ainda, onde não há oportunidades de progresso profissional, falta diálogo com a direção e não há estímulo à criatividade.
VbCrLf A mesma reflexão deve ser feita em relação aos benefícios da ação voluntária, em geral a comunidade do entorno. Como essa comunidade percebe a empresa? Por acaso, é uma indústria que despeja resíduos no rio, polui o ar ou mantém um lixão no bairro? Os vigias da empresa são arrogantes, criam problemas com os vizinhos? A empresa não oferece oportunidades de trabalho para os moradores de seu entorno? Ou, é uma organização que respeita o meio ambiente e a vizinhança, interessando-se por seus problemas e tentando agir para melhorar a situação?
VbCrLf Naturalmente, é importante estabelecer um bom clima interno, como também resolver problemas que a empresa venha a criar para a comunidade, antes de lançar um Programa de Voluntariado. Lembre-se: voluntariado empresarial é mais um dos itens da pauta de responsabilidade social. Ele cairá no descrédito se os demais itens não estiverem, pelo menos, em processo de aplicação.
VbCrLf Por outro lado, não se deve esperar que todas as dificuldades desapareçam antes de pensar em voluntariado. Pelo contrário, o programa ajuda a identificar muitos problemas e a encontrar soluções para eles, pois internamente amplia o espírito de participação e, no âmbito externo, estreita laços com a comunidade.
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VbCrLf Outra reflexão importante é sobre os valores, a missão da empresa e seus objetivos de negócio. Alinhar com eles o Programa de Voluntariado será sempre um passo importante para o sucesso. Para tanto, é preciso considerar que:
VbCrLf Nem sempre os valores de uma empresa estão claramente expressos, mas, mesmo difusos, eles existem. Têm a ver com as tradições, com a cultura interna, as crenças que moldam o jeito de operar da organização.
VbCrLf A missão é mais fácil de identificar porque se liga diretamente ao que a empresa faz, expressando a função para a sociedade de seus produtos e serviços.
VbCrLf Já os objetivos de negócio são de cunho nitidamente utilitário, mas suficientemente amplos para englobar aspectos como penetração de mercado, imagem com acionistas, clientes, fornecedores, consumidores.
VbCrLf Um Programa de Voluntariado em sintonia com os valores, missão e objetivos de negócio da empresa passa a ter função estratégica. Reforça a cultura interna, amplia o alcance para a sociedade de suas operações e colabora para a inserção da empresa nos vários segmentos de público de seu interesse.
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VbCrLf A proposta de criar um Programa de Voluntariado precisa ir, aos poucos, incorporando mais e mais pessoas. Uma sugestão para que isso ocorra naturalmente é, logo no início, criar um grupo de trabalho com funcionários de diferentes departamentos.
VbCrLf No caso de uma pequena empresa, onde todos se conhecem, esse grupo pode ser mais informal, pois os contatos se dão naturalmente, no dia-a-dia de trabalho. Em uma grande empresa, será necessário ter mais atenção para com a participação das várias áreas.
VbCrLf A presença de representantes de Recursos Humanos, Marketing, Comunicação e da diretoria é sempre importante. Não se deve esquecer de incluir funcionários de níveis hierárquicos diversos, para garantir a pluralidade de percepções.
VbCrLf Esse grupo deve ter claros os objetivos que a empresa pretende alcançar com o Programa de Voluntariado:
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VbCrLf O grupo de trabalho precisará buscar conhecimentos para evitar erros, se informar sobre experiências de voluntariado em outras empresas, assimilar conceitos, debater idéias. A participação em cursos e seminários é um caminho. Em muitos casos, poderá ser útil identificar especialistas para assessorar a montagem do programa.
VbCrLf Uma das tarefas do grupo será mapear as ações de responsabilidade social que a empresa já faz. Também deverá levantar informações sobre atividades semelhantes desenvolvidas por fornecedores, concorrentes, clientes.
VbCrLf Esse grupo precisa desenhar um plano de ação claro e conciso. Deve definir os objetivos do programa e como envolver o conjunto da organização nele. Especial atenção deverá ser dada à estratégia para sensibilizar a hierarquia da empresa: conselho, diretores, gerentes, chefes de seção. Mesmo que a idéia do Programa de Voluntariado tenha partido do presidente da companhia, isso não assegura que a hierarquia o apóie.
VbCrLf A distribuição de tarefas entre os membros do grupo de trabalho e um cronograma de atividades também são elementos importantes do plano de ação. Mais tarde, ele será substituído por um projeto, documento mais completo, a ser redigido na fase de implantação do programa.
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