Quando recebi o convite do editor da Revista Filantropia para escrever neste veículo de comunicação, fiquei contente por um lado e preocupado por outro. Contente porque gosto de escrever, principalmente quando tenho a oportunidade de falar de um dos meus temas favoritos: organização.
Já a minha preocupação advém justamente em função do tema a ser tratado. Eu fico me perguntando: será que as pessoas vão querer ler sobre organização em uma revista que trata de filantropia? Talvez seja uma preocupação exacerbada. Afinal, tenho falado sobre organização para as mais diferentes platéias – sempre com boa receptividade.
Vou começar explicando o meu conceito de organização.
Toda Organização – quando escrevo com letra maiúscula estou me referindo a uma instituição – é composta por três elementos: pessoas, processos de negócio e tecnologias da informação. Esses três elementos têm por finalidade atender a clientes, consumidores, cidadãos. É neste ponto que começamos a falar de organização.
Qualquer que seja a instituição – privada, pública, militar, religiosa, filantrópica, com fins lucrativos ou sem – precisa ser organizada, para que possa cumprir corretamente sua função.
Tomemos como exemplo uma casa de ajuda a crianças abandonadas ou um asilo de idosos, e imaginemos que essas instituições possam ser geridas na base do esforço pessoal de uns poucos, heroicamente! Nada de organização, de controle financeiro, de controle com os gastos. Nada! Dessa forma, coitado, até Deus pararia de ajudar!
O que chamamos de Terceiro Setor teve de mudar para sobreviver, especialmente nas últimas décadas do século 20. Primeiro, porque a humanidade insiste em subtrair, em detrimento do “dividir”, além de a corrupção ter aumentado e o número de corruptos, para manter a compostura e não dizer ladrões, também. Todos os dias lemos nos jornais que o número de miseráveis no mundo aumentou, o número de crianças que não chegam ao primeiro ano de vida aumentou, o número dos que vão morrer de fome aumentou e que a concentração mundial de renda aumentou ainda mais. Em um cenário como esse é imprescindível que façamos alguma coisa, mas quaisquer que sejam nossas ações têm de ser organizadas para que efetivamente possam resultar em “ações de valor”.
3. Definir o público alvo.
4. Definir como a estrutura da instituição será organizada.
5. Definir os processos que “produzirão” os produtos da instituição.
6. Definir os processos que “suportarão” os processos primários.
7. Criar os controles financeiros.
8. Definir a captação dos recursos.
9. Criar controles operacionais.
10. Não fazer nada de improviso a não ser que se queira acabar com a instituição.
Na próxima edição, publicaremos uma explicação detalhada de cada um desses itens.
Por tudo isso: organizar é preciso!
Aliás, um dos exemplos que mais gosto de citar para meus interlocutores é a Pastoral da Criança, administrada por Zilda Arns. Essa instituição tem presença em todos os estados brasileiros e está exportando know-how para países tão ou mais pobres do que o nosso. Isso significa o reconhecimento de que a instituição está produzindo um serviço de valor, embora não tenha fins lucrativos. É por isso que organizar é preciso. Quando organizamos uma instituição, qualquer que seja a natureza dela, além de podermos fazer mais e melhor com os recursos que temos, evitamos desperdícios, economizamos e criamos as bases para que a instituição não acabe como tantas, envolvidas em escândalos que invariavelmente as extingue!
Lembre-se: somente a instituição organizada sabe o que ganha e o quanto gasta.


