O propósito desta coluna é transmitir mensagens positivas e ensinamentos por intermédio de histórias, contos ou crônicas. Pelo menos foi isso que o editor da Revista Filantropia me pediu. Infelizmente, pela segunda vez consecutiva, estou mandando apenas, “meia história”, com comentários meus. Dados os eventos e mudanças que o planeta vem sofrendo, julgo-me escusado, mas prometo me comportar de acordo com o combinado já na próxima edição.
Vou contar, então, a minha meia narrativa. Ela é sobre a vida de um contador de histórias, que viveu muito tempo atrás, perambulando de cidade em cidade, ensinando, com as suas lindas parábolas, como viver no mundo (e além dele). E ele era tão bom no que fazia que ficou famoso em todas essas cidades. Tão famoso que a sua própria história se espalhou pelo mundo todo durante milênios depois de sua morte e ela continua sendo contada até os dias de hoje.
Se a história desse homem foi ou não enfeitada com poderes miraculosos não importa. Um poder ele tinha com certeza: o poder da palavra. Poder grande o suficiente para gerar o milagre de transmitir uma mensagem, um ensinamento, de uma forma que todos pudessem compreender.
Textos sagrados asseguram que esse homem retornaria mais ou menos por essa época. Será que virá a pé ou de disco voador? Será que virá do morro ou do asfalto? Da esquerda ou da direita? De fora ou de dentro?
Na época em que se comemora o aniversário desse “contador de histórias”, vejo que há muito mais meios de transmitir uma mensagem, mas o poder da palavra se diluiu no meio de tantos comerciais.
Quando o contador de histórias chegar, como fará seus discursos? Televisão, rádio, Internet, Wap, Sap? Quem ouvirá? Quem comprará? Quem patrocinará? De quem serão os direitos? Em qual canal? Em que horário? Já tem tanta gente fazendo isso…
Será que a humanidade ainda precisa de historinhas para aprender as coisas? Tudo o que se precisa saber já está dentro da gente. Todo mundo sabe o que é certo ou errado. Todo mundo sabe quando está prejudicando outra pessoa. Todo mundo tem consciência. Basta usar.
Nesta época de mudanças e reviravoltas, é bem propício cultivar o renascimento dentro de nós mesmos. Tudo aquilo que faz a gente prometer um monte de coisas antes de pular sete ondinhas na Praia Grande, ou de estourar o champanhe a bordo de um luxuoso iate em Angra dos Reis. Aquela vontade de começar de novo e fazer tudo certo dessa vez.
Quanto à história do contador de histórias, bem… Ela ainda não acabou. Só acabará quando o homem voltar. E que mundo bagunçado ele vai encontrar! Dizem que, para arrumar o mundo, precisamos começar por nós mesmos. E você vai esperar para tomar atitudes só uma vez por ano? Será que assim dá tempo de limpar a casa antes que a visita chegue?
Cada dia é um dia de renascimento. Cada oportunidade de crescimento e progresso é uma dádiva rara e deve ser tratada como tal. A vida é feita de festas, de conquistas e de renascimentos. Assim, espero que todos aproveitem para se reunir com aqueles a quem ama em festa e que tenham um ano novo diferente!


