Um jumento inflável de três metros, erguido no coração do Pelourinho, chama a atenção de quem passa. Mas é o que acontece ao redor dele que faz parar, ouvir e, sobretudo, entender a urgência do tema. De 4 a 7 de maio, Salvador se transforma em palco de uma mobilização que mistura cultura popular, denúncia e ação direta para exigir o fim do abate de jumentos no Brasil.
Na segunda (4) e na terça-feira (5), a cena ganha voz: um repentista ocupa o espaço com versos afiados, traduzindo em rima e improviso aquilo que os números já evidenciam: os jumentos estão desaparecendo. A tradição oral nordestina se torna ferramenta de mobilização política, impossível de ignorar.
Ao redor, ativistas abordam moradores e turistas em conversas diretas, explicando o que está por trás do inflável de grandes proporções: uma espécie sendo levada ao limite. Brindes de conscientização e materiais informativos circulam entre o público, ampliando o alcance da mensagem e deixando uma pergunta no ar: como chegamos até aqui?
Histórico — Dados recentes indicam que o Brasil perdeu 94% de sua população de jumentos entre 1996 e 2024. Hoje, restam apenas seis para cada 100 animais que existiam nos anos 1990. O principal fator é o abate para exportação de peles à China, utilizadas na produção do ejiao — substância feita a partir do colágeno extraído das carcaças, difundida na medicina tradicional chinesa, mas sem eficácia comprovada.
Apesar da recente decisão da Justiça Federal que suspendeu temporariamente o abate, especialistas e organizações, como a The Donkey Sanctuary e a Frente Nacional em Defesa dos Jumentos, alertam: sem uma lei federal, não há garantia de proteção permanente. Por isso, a mobilização também pressiona pela aprovação do Projeto de Lei 2387/2022, que busca proibir definitivamente a prática no país.
A ação segue para a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), entre os dias 6 e 7 de maio, onde o debate será realizado por pesquisadores nacionais e internacionais durante o IV Workshop Internacional: Jumentos do Brasil: Futuro Sustentável.
(Assessoria de Imprensa)
Esse conteúdo foi originalmente publicado por OngNews, em 05 de Maio de 2026.


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