A população de todo o mundo está envelhecendo, mas em que condições estão aqueles que atingiram tal estágio da vida? Uma análise breve evidencia que não é fácil envelhecer em pleno século 21, especialmente nos países mais pobres. Se antes havia o temor de instabilidade causada por jovens desempregados, suscetíveis a serem recrutados para atividades criminosas, a existência de um grande grupo de idosos desperta outras preocupações. O aumento do número dessa parcela da sociedade acarreta uma série de impactos: aumentam as pressões sobre os sistemas de atendimento médico, sobre planos de saúde e seguro social, bem como sobre os fundos de pensão particulares.
Fundada em 1912 no bairro Chácara Santo Antonio, zona sul de São Paulo, a entidade tem uma trajetória de dedicação e carinho a uma turma que conta com idade mínima de 65 anos. “Atualmente atendemos 150 pessoas que têm, em média, de 80 a 85 anos. Há, inclusive, residentes com mais de um século de história para contar”, esclarece Elizabeth Camasmie Zogbi, presidente da entidade.
Na “Mão Branca”, como é chamada, as prioridades são a animação e o bem-estar dos idosos. O convívio social e os cuidados com a saúde também recebem atenção especial. A parceria com a Escola Paulista de Medicina garante a constante atualização da medicina geriátrica, da enfermagem padrão, nutrição e da terapia ocupacional da organização.
A sociedade beneficente conta com um privilegiado espaço físico de 4 mil metros quadrados de área construída e 5 mil de alamedas e jardins. É um espaço amplo para o preenchimento do tempo daqueles com muita energia ainda para gastar. “A estrutura interna oferece aposentos, salão de festas, salas de refeições, fisioterapia, computação, lazer, música, biblioteca e capela. Já a área externa apresenta espaços para piquenique e recreação, jardins, praças e uma igreja”, relata Elizabeth.
“Nossa meta agora é a construção da nova ‘Mão Branca’, um centro geriátrico no km 26 da Rodovia Raposo Tavares, em Cotia. O projeto vai aliar recursos de saúde e lazer em um ambiente extremamente natural”, diz a presidente. E os projetos não param por aí. A instituição se prepara para abrir as portas aos moradores do bairro de mesma faixa etária. Monitorados por alguns dos 70 voluntários da entidade, eles terão acesso às oportunidades de lazer que são oferecidas aos internos.
O programa de voluntariado respeita algumas fases: há inicialmente uma entrevista, seguida de um curso preparatório para a especificação do trabalho com idosos e a apresentação do regulamento da casa. Duas vezes por semestre acontecem reuniões com os voluntários para capacitar, renovar atividades e integrar a equipe. Além disso, há um livro de presença para acompanhamento da assiduidade e compromisso dos participantes, uma caixa de sugestões e uma coordenação de voluntariado trabalhando diretamente com a presidência. Elizabeth complementa: “Formamos uma rede de voluntários que se responsabiliza pelas atividades de recreação e estimulação dos idosos. Por isso, investimos na seleção e capacitação daqueles que estão conosco”.
“A participação da comunidade é intensa na arrecadação de recursos, trazendo contribuições mensais de empresas, sócios e familiares dos hóspedes, e organizando bazares e festas beneficentes”, conta Elizabeth. Além disso, a “Mão Branca” capta recursos com o aluguel de imóveis próprios (a maioria doada à organização), aplicações financeiras, aluguel de espaço para a colocação de outdoors e doações pela internet. A fim de deixar clara a aplicação do capital arrecadado, um balanço anual é publicado em jornal de grande circulação.
Como dizia o saudoso Betinho, qual a força de uma iniciativa multiplicada por milhões? A Sociedade Beneficente “A Mão Branca” de Amparo aos Idosos trabalha pela dignidade de centenas de senhores e senhoras. São exemplos como esse que indicam o caminho a trilhar no equacionamento da questão do envelhecimento populacional: colocar, em primeiro plano, o respeito à pessoa e às peculiaridades de uma fase tão bela e delicada da vida.



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