O princípio ativo de comunidade existe e funciona, como no exemplo do Dispensário Santana
O conceito de comunidade é trabalhado há muito tempo, por diversos pensadores e teóricos. Exemplos não faltam. Tönies procurou criar uma concepção de comunidade pura, idealizada. Nessa linha, fica clara a oposição entre comunidade e sociedade. Para ele, a primeira tinha motivação afetiva, era orgânica, lidava com relações locais e com interação. As normas e o controle se davam pela união, hábito, costume e religião. Seu círculo abrangia família, aldeia e cidade.
Já a sociedade era a frieza, o egoísmo, fruto da calculista modernidade. Sua motivação era objetiva, mecânica, observando relações externas e complexas. As normas e o controle se davam pelas convenções, leis e opinião pública. Seu círculo abrangia metrópole, nação, Estado e mundo. Enfim, a partir de sua conclusão, Tönies classificava a comunidade como o estado ideal dos grupos humanos e a sociedade, por outro lado, a parte corrupta e desequilibrada.
A sociedade está desequilibrada e precisa de muitos braços para parar de pender contra os menos favorecidos. Estaria na hora de investir enfaticamente na idéia de comunidade? Se sim, de que forma? O Terceiro Setor, este corpo multifacetado que cresce ininterruptamente, dá exemplos concretos. O desafio é vencer as vaidades, estancar a sangria da corrupção e desenvolver métodos que possam democratizar certas fórmulas encontradas. O princípio ativo existe e funciona, como no exemplo do Dispensário Santana.
Basta observar as instalações da organização para entender a dimensão do trabalho. Só o prédio principal tem mais de 6 mil metros quadrados, dentro do qual funciona um abrigo para 30 senhoras, uma escola com 22 salas, um centro de saúde e uma oficina para a confecção de bijuterias.
Além disso, próximo à sede da entidade, desenvolvem-se outros projetos, como uma quadra de esportes coberta, sorveteria, padaria, fábrica de detergentes, creche, centro profissionalizante e uma serigrafia. A atuação do Dispensário Santana ainda ultrapassa as fronteiras do Jardim Acácia: o Centro de Formação e Promoção Maria de Nazaré, com capacidade para 90 pessoas, situa-se no bairro Papagaio.
A evangelização tem papel muito importante, uma vez que reúne aqueles que serão multiplicadores dos ideais do Dispensário Santana. Os cursos de formação de lideranças são freqüentados por 160 pessoas. Cerca de 330 crianças, de 7 a 14 anos, fazem a catequese nos finais de semana. O grupo de jovens conta com 45 integrantes e outros movimentos religiosos reúnem público variado.
Nas oficinas de orientação para o trabalho são oferecidas 233 vagas para adolescentes em diversos cursos: serralharia, fábrica de vassouras, fundição de bijuterias, sorveteria, panificação, detergentes, fabricação de detergente, serigrafia, artesanato, pintura, culinária, bordado, confecções e bijuterias. Há outros cursos para jovens e adultos, como corte e costura, computação, doces e salgados, pintura em tecido, embalagens, redação, língua portuguesa e língua estrangeira.
Não há dúvidas de que a oportunidade de estudar e aprender um ofício são ingredientes indispensáveis na fórmula de redução do desequilíbrio social. Até porque uma força de trabalho educada e capacitada é tão fundamental quanto o aquecimento da economia no processo de crescimento do país.
Ainda dentro do Centro de Saúde, cerca de 300 famílias são auxiliadas com gêneros alimentícios e onde são realizados aproximadamente 39.500 atendimentos por mês no centro médico-odontológico.
233 vagas nas oficinas de orientação para o trabalho
63 alunos na alfabetização de adultos crianças e adolescentes no ensino fundamental



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